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Jesuítas e a Educação
Os jesuítas, ou Companhia de Jesus, é uma ordem religiosa da Igreja Católica Romana,
criada para combater a Revolução contra a Igreja Católica. Ela foi fundada por Inácio de
Loyola em 1540 como um grupo, “Amigos no Senhor”.
Os primeiros Jesuítas chegaram no Brasil em 1549, com a missão de educar e catequizar
os índios, fundando assim os primeiros colégios. Atualmente, a Companhia dirige
universidades, centros de reflexão social, casas para retiros espirituais, paróquias,
colégios, etc.
Nesta época não havia somente os interesses da Igreja em catequizar e educar os índios.
Havia também os interesses de colonização de Portugal, ou seja, uma época com duas
diacronias, ou dois projetos diferentes (econômico/político e cultural/educacional). Mas
em meio a tantas diferenças, a Igreja e o Estado conseguem achar um interesse comum,
que é defender a estrutura social tripartite e hierarquizada (os que lutam, os que rezam e
os que trabalham), onde os que trabalham mantém a vida dos que rezam e dos que
lutam.
Foi por esse interesse comum que acontece então o “encontro de diacronias”, ou seja,
encontro de mudanças, idéias, etc; onde a Coroa Portuguesa e a Igreja enviam Jesuítas e
Governadores para tomar posse e povoar novas terras, convertendo e organizando o
trabalho local; é fato que, os primeiros Jesuítas, cuja intenção era tão somente a
catequização e alfabetização dos índios, sentiam o gosto do amargo sucesso, pois sem
perceber, acabaram aliados dos Colonizadores, e viam os índios sendo alvos de disputas
pelos Colonos.
No século XVII, Marques de Pombal, que estudou na França, e teve contato com o
movimento iluminista, resolveu começar a expulsar os Jesuítas, pois ele achava que os
Jesuítas usavam da educação para a conversão, surgindo então os primeiros professores
pagos para ensinar.
Podemos dividir essa história em dois períodos: o período heróico – que é marcado pelo
missionarismo dos Jesuítas, que achavam que os índios eram como folhas de papel em
branco esperando as primeiras informações, e ignorando totalmente a cultura daqueles
indígenas; e também o período da consolidação – que é onde começa a alfabetização
feita por professores pagos pelo Estado, e não mais pelos Jesuítas, porém somente os
filhos de homens brancos, e com renda acima de 100 mil réis poderiam freqüentar as
aulas.
Com a Proclamação da Republica, todos poderiam participar da eleição, desde que não
fossem analfabetos, e como somente os brancos freqüentavam as escolas, eram só eles
que votavam. Em 1934 o ensino passa ser obrigatório, e então os negros também
começam a participar das eleições. Em 1971 passa ser obrigatório o ensino
fundamental, e vem sendo até os dias de hoje.

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